segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Bem safadinha, graças a Deus.

Nos dias que antecedem a quarta-feira de cinzas, o mundo só é justo com dois tipos de pessoas: as que adoram o carnaval e as que o odeiam. O primeiro grupo se diverte, pula, samba e até abusa. Já quem odeia, foge e pronto.

Existe porém um terceiro grupo que ocupa uma espécie de buraco negro existente entre os dois primeiros. São aquelas pessoas que não têm nada contra a folia, mas também não seguem o trio elétrico, não vão para o sambódromo, nem para os salões. Esses infelizes passam por situações da mais aguda depressão, pois em algum momento entre a sexta e a terça-feira eles ligam a TV.

Lamentavelmente devo dizer que fui acometido por esse mal.

Para dar uma espiadinha (perdão, Bial) na cobertura do carnaval haviam poucas opções. A primeira seria seguir o trio elétrico, mesmo estando confortavelmente sentado no sofá da sala. Não.

Pulei então para o desfile das escolas de samba.

Talvez eu esteja muito tolerante, mas parece que a cobertura melhorou muito. Com uma certa boa vontade, é possível dizer que está quase suportável. Quase, pois ainda existem aquelas entrevistas.

Entre uma escola e outra, o repórter tenta "levar até você, telespectador, toda a emoção dos passistas na avenida". E segue uma espécie de roteiro de perguntas: "Qual a emoção de estar desfilando?" "Este ano você vai em cima do carro?" e para fechar "Dá uma sambadinha para o pessoal lá de casa?"

Uma outra emissora transmite os bastidores do carnaval. Dali surgiu a melhor pergunta da folia:

__E este peito é seu?
__Não, é da minha vizinha, vou devolver na quarta", sugeri.

Na seqüencia veio o debate sobre o menor tapa-sexo da história do carnaval. Humilhado por sua suposta pequenez, o adereço preferiu não completar o desfile e ainda na avenida se desligou da sua, digamos, função.

É bom lembrar que a genialidade não se manifesta apenas nas perguntas.

Repórter pede uma "sambadinha". Enquanto seus seios nus tomam conta da tela, a passista vestida apenas com um tapa-sexo (esse sem complexo de inferioridade) responde: __ Não, eu sou tímida.

Até aqui este pobre blogueiro já contava quase 10 minutos de exposição à TV no carnaval, mas ainda faltava o golpe de misericórdia. Repórter pergunta a uma passista-modelo-e-atriz como seria sua fantasia (a beldade estava de roupão).

__ É bem safadinha, graças a Deus.